📚 Historical Archive Notice

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Luis Rodrigues Coelho     luis1coelho@hotmail.com

Em primeiro lugar, deixem-me pedir desculpa pela falta de acentuacao, um
vez que estou a escrever com um teclado britanico.

Tudo no inicio do ano 2001, quando vi no Jornal Expresso um anuncio a
pedirem voluntarios para trabalharem em varios paises africanos.  Como
estava no inicio da minha recuperacao quanto a minha adiccao com drogas,
pensei que seria uma optima oportunidade para mim de mudar de vida
radicalmente. Ajudando pessoas realmente necessitadas, estaria a ajudar-me a
mim. Eu tenho sempre o poder de fazer as minhas escolhas e quem e muito
pobre, a maior parte das vezes, nao a tem, pura e simplesmente.
Comecei entao a ter varios contactos com a organizacao “humana people
to people” na Dinamarca, atravez de uma senhora de nome
“Lotte”. Senhora esta que era a directora de uma escola chamada
“lindersvold” a cerca de 100 km de Copenhaga. Refiro que nunca
foi minha intencao utilizar a escola como uma fuga a minha adiccao, como um
centro de tratamento e que nunca ninguem me obrigou a inscrever-me. Ja na
altura notei que o maior requisito para me juntar a tal organizacao, era o
aspecto financeiro. Claro que me pediram uma data de papeladas, mas o
importante era se eu pudia pagar a inscricao mais seis meses de
mensalidades, que na altura eram 350 euros por mes. Agora deve ser mais.
Pediram-me que fosse a Lisboa a uma reuniao, o qual fui e fui informado de
como a “humana” trabalha, os paises onde estao sediados, os
varios projectos e todos os programas nas escolas, de maneira a estarmos
aptos a ir para Africa como voluntarios.
Recordo que a Lotte sempre me telefonou e escreveu mails a perguntar se e
quando eu pudia mandar o dinheiro para a minha inscricao, mas o que eu nao
sabia e que eles, em caso de alguem abandonar o programa, nao devolvem o
dinheiro.
Entusiasmado, com boas intencoes e de malas feitas, la fui eu para a
Dinamarca, no dia um de Abril de 2001. Encontrei pessoas interessantes e fiz
bons amigos entre os estudantes das varias equipas que la estavam na altura,
tanto da minha(equipa de abril), como as de Fevereiro e outras que
regressavam de Africa. Tive dificuldade com o meu ingles, mas o tempo
encarregou-se de resolver. Depressa pude perceber que a escola nao tinha
professors apropriados e quem dava todas as aulas eram pessoas, que ja
tinham passado por Africa e que agora tentavam pasar a sua experiencia. Nada
tenho a dizer em relacao a eles, pois sempre foram dedicados na tentative de
nos ajudarem e elucidarem. O que nao percebo e nao concordo, e porque nao
tinha professores credenciados. Tambem depressa me apercebi que o unico
objectivo dos directores das varias escolas da organizacao(teachers group),
era angariar dinheiro de todas as formas possiveis e para isso , era regra
fazerem todo o tipo de lavagens ao cerebro. Para alem de ter pago um bom
dinheiro para pagar as mensalidades, tinha agora que, em seis meses,
trabalhar ou vender jornais em copenhaga para angariar 35.000 coroas
dinamarquesas, facto que ninguem me preveniu na reuniao de lisboa. Mesmo que
eu quisesse desistir por nao concordar com esta regra, seria desvantajoso
para mim, pois perderia todo o dinheiro que tinha pago para puder frequentar
a escola. Ou seja, cada elemento da minha equipa tinha que angariar 35.000
coroas dinamarquesas, o que nos punha numa certa pressao, pois nao e um
objectivo facil de atingir em seis meses, partindo do principio que haviam
actividades consideradas por nos mais importantes, para quem quer estar
preparado para trabalhar num pais africano com todas as suas vicissitudes.
Combinamos entre nos em nao desviarmos as nossas atencoes para pensamentos
negativos ou que nos afastassem uns dos outros como membros de uma mesma
equipa. Outro acontecimento que nos aborreceu, foi o facto de nos terem
ditto que a organizacao tinha uma tradicao em maio, que era, todas as
equipas de abril de cada escola na dinamarca e noruega, tinham que elaborar,
preparar e apresentar um teatro numa escola chamada “juesmind”.
Ora pusemos-nos nos a pensar por que raio precisavamos de um teatro para ir
para Africa, ou seja, este evento inesperado ia-nos retirar um inteiro mes,
que era precioso para actividades como desenvolver o nosso ingles, aprender
portugues ou Creole, aprender e aperfeicoar habilidades que pudessem ser
usadas em Africa, obter todo o tipo de informacao necessaria em relacao ao
pais para onde fossemos trabalhar(no meu caso Angola – benguela), etc.
Aparte desta contrariedade, mantivemo-nos unidos no nosso voto de nao
desistir e de evitar todo o tipo de polemicas que nos desviassem do nosso
objectivo. Como tal, ate elaboramos o nosso teatro, pondo em palco um filme
do famoso director norte americano Quentin Trantino, de titulo
“reservoir dogs”, cabendo-me a mim o papel do vilao psicopatico
“mr blonde”. Apesar de so termos um ingles na nossa equipa e de
o resto de nos termos representado nao na noa lingua mae, mas em ingles,
acabamos por ficar em primeiro lugar, o que premiou a nossa dedicacao e
determinacao quanto aos nossos objectivos.
A medida que o tempo ia passando, a directora da escola (lilian) organizava
reunioes sem fins para tentar dar-nos mais lavagens ao cerebro e reafimar
que nos tinhamos que esforcar mais na tentativa de obtermos o dinheiro que
precisavamos. Chegou mesmo a ser cruel e injusta para pessoas que estavam a
dar o seu melhor nas ruas de copenhaga para angariar dinheiro. Ela sempre se
mostrou bastante fria para com os alunos e nunca se importou se alguem nao
tinha o feitio para vender jornais nas ruas. Disse varias vezes que quem nao
reunisse as 35.000 coroas  exigidas, nao era autorizado a viajar para
Africa, independentemente de essa pessoa ter pago um balurdio para
frequentar a escola. A raiz da questao foi sempre: nunca ninguem se importou
com o progresso dos alunos, com a falta de um professor que ensinasse Creole
para quem fosse para guine Bissau, etc. O importante era que angariassem
dinheiro para a escola. Uma das grandes mentiras ditas por quem estava a
frente da organizacao(teachers group) era que a maior parte do dinheiro
angariado iria para suportar os projectos em Africa. Na verdade, esse
dinheiro ia inteirinho para pagar os seus ordenados de reis. Alias, toda a
recolha de roupas e outros que fazem em varios paises,tambem vai para pagar
os seus ordenados. Recordo que o orcamento da escola para a alimentacao era
tao baixo, que muitas vezes comemosmarroz com arroz ou massa com massa.
Passo a contra como se passou a minha “desistencia da organizacao.
Aquando da reuniao em lisboa foi-nos ditto que a “humana” SO
tinha duas regras: a primeira era que nao era permitido o uso de alcool nas
escolas ou enquanto se estivesse ligado a organizacao. Tudo bem. A Segunda,
nao era permitido o uso de qualquer tipo de drogas enquanto estivessemos
ligados a organizacao.Tambem tudo bem.
Ora um dia, no meio da minha boa vontade, honestidade e agora sei
ingenuidade, numa conversa com a lilian(directora), confessei-lhe que era um
adicto em recuperacao e alguns pequenos permenores do meu passado. Decidi-me
a contar, pois faco questao de ser honesto e nao via razao para nao o 
fazer. De lembrar que estava num programa de voluntariado e como tal, a
honestidade, compreensao e todos os valores humanos devem estar acima de
quaisquer outros. Como resposta a minha honestidade, foi-me ditto que nao
pudia ir com a minha equipa para Africa, pois a “humana” tinha
uma regra que dizia que quem tinha um passado com drogas, tinha que esperar
18 meses antes de puder viajar. Lembram-se das duas regras mencionadas na
reuniao de lisboa: nao ao alcool e drogas enquanto se estivesse ligado a
organizacao. Nunca ninguem me disse que puderia ser impedido de ir para
Africa se tivesse um passado com drogas. Em vez disso, deram-me tres
alternatives: ir para a Africa do sul fazer promocao e ajudar a construir
uma escola, ir para lisboa trabalhar numa loja grande de venda de roupas e
outros artigos recolhidos anteriormente ou ir para outra escola dinamarquesa
fazer promocao. Promocao e basicamente responder a mails e tentar atrair
mais pessoas para as escolas, de maneira a que eles possam ter mais
dinheiro.Apesar de ter pago o dinheiro das mensalidades e inscricao, apesar
de ja ter angariado a volta de 28.000 coroas , apesar de me estar a preparar
convenientemente e de inclusivamente ajudar os outros com o portugues(pois
sou portugues), foi-me dito de uma forma muito intransigente e clara, que
nao puderia viajar para Angola. Depressa partilhei com a minha equipa o que
se estava a passar, assim como a todos em lindersvold. Todos me deram o seu
apoio e tentaram dar solucoes para o meu problema, mas todas se revelaram
infrutiferas devido a intransigencia da regra. Senti-me revoltado e
rejeitado, pois sempre tentei dar o melhor de mim a escola e esta era a
resposta que estava a obter. O meu professor(alex – alemao), uma
excelente pessoa e que sabia bem das mentiras da “humana”,
sugeriu que escrevessemos uma carta para o quartel general da organizacao no
zimbabue. Apesar da injusta e intransigente decisao que tomaram, eles
sentiram-se um pouco culpados pois sabiam bem do erro que tinha cometido e
devido a isso me foi dado algum tempo para me decidir se optaria por
abandonar a escola ou optaria pelas sugestoes que me tinham dado. Claro que
na minha cabeca a ecisao foi sempre abandonar, so nao o fiz de imediato
porque na altura conheci a minha actual namorada, Vicky, do pais de gales e
que pertencia a equipa de agosto. Antes de tomar conhecimento da minha
situacao e antes de me ter conhecido, ja ela se tinha dicidido a ir embora e
so ainda estava na escola porque ainda nao tinha decidido para onde iria.
Bom, apartir do momento em que comecamos a nossa relacao e que viviamos
juntos, apercebemo-nos que a lilian e seus seguidores, surateiramente nos
tentavam fazer todo o tipo de guerras. Como agora sabiam do meu passado com
drogas, uma professora(Anette) espalhou  pela escola que a Vicky andava a
vender drogas a pequena escola situada ao lado da nossa. Escola essa, que
segundo eles e destinada a jovem e criancas com problemas de integracao na
sociedade. Pura mentira e hipocrisia, pois esses jovens nao tem praticamente
qualquer tipo de acompanhamento, principalmente psicologico. Mais uma vez so
lhes querem exturquir dinheiro. Comecaram a dizer que eu era uma ma
influencia para a Vicky, pois presentiram que eu ia abandonar a escola e que
ela vinha comigo, ou seja, tentaram-nos separar por varias maneiras. Quando
por fim eu e a Vicky decidimos que iamos viver juntos, dei conhecimento a
lilian que eu nao queria ficar ligado a “humana”. Como resposta,
deu-me cinco dias para abandonar a escola, nao sem antes me ter tentado
lavar o cerebro com os trabalhos de promocao noutra escola ou com a
tentative de deixar a vicky sozinha.
Quando eu e a Vicky deixamos a escola numa sexta feira, nao nos devolveram
um centavo do dinheiro que ela tinha pago para frequentar a escola durante
seis meses.
Desta minha estadia em lindersvold, apesar da injustica a que fui alvo, faco
um balanco positivo. Ganhei uma namorada espantosa, fiz bons amigos que
ainda hoje mantenho em contacto, viajei um pouco pela dinamarca e alemanha,
desenvolvi imenso o meu ingles e melhorei as minhas qualidades humanas.
Estas escolas sao frequentadas por pessoas de boa vontade e com boas
intencoes, que nao merecem ser tratadas friamente, desonestamente e de uma
forma interesseira. Estas escolas sao regidas de uma forma profissional,
como se de uma grande empresa se tratasse e em que nao dao a minima atencao
ao que se passa com os alunos. Estes nao passam de numeros, como se passou
comigo. Mas por um lado estou contente, pois estas escolas tem os dias
contados devido a todas as suas mentiras e desonestidades e exemplo disso e
que o seu big boss(Peterson), foi preso no inicio deste mes(marco) nos
estados unidos, assim como varios lideres na dinamarca, apesar de eles
diserem que nao tem lideres.
Para terminar, dou os parabens a todos os que colaboram com o
“tvindalert” no sentido de esclarecer de uma forma honesta e
explicita, tudo o que se passa no mundo da “humana”. So para
dizer que se nao fosse este site e um programa na televisao portuguesa e
talvez a minha familia nao se tivesse acreditado na minha historia.
Pela minha parte, disponibilizo-me a escrever mais historias ou permenores
que me sejam requisitados, ou a respoder a mails de pessoas que tenham
duvidas quanto a seriedade da “humana people to people”.
Ate sempre

                 

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